quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Terapia

Terapia deveria ser algo rotineiro. Melhor, obrigatório. Tipo, aquelas coisas que por fazerem tão bem e serem necessárias acabam se tornando obrigatórias. Como água, por exemplo. Beber é obrigatório. Terapia também deveria ser. Exagerei? Bem, se exagerei ou não, o certo é que ontem retornei às minhas sessões e a sensação sem dúvida é de que um peso muito grande foi tirado das minhas costas e agora pude dividi-lo ao meio, pelo menos. Sabe tudo aquilo que você não é capaz de dizer nem mesmo para aquela pessoa que julga ser seu melhor amigo, mas que o fato de guardar só para si te consome muito? Pois é, consegui dividir. Ontem, em apenas duas horas (o tempo passou, extrapolou o tempo normal da sessão e nem foi possível perceber) consegui analisar tanta coisa sobre mim e o momento que venho passando...sabe, em poucas e pensadas palavras, o psicoterapeuta me fez enxergar o quanto vivo mais “presa” do que muitas irmãs do Carmelo! Presa não apenas no sentido físico, mas principalmente presa a sentimentos, a emoções, a pessoas, a hábitos e neuroses que fazem de mim uma grande prisioneira e que me condicionam a certas situações que não me fazem bem. O bom de tudo, em meio a isso, é que pude perceber também que não tenho apenas o caminho que eu conseguia enxergar como único na minha cegueira. Sensação melhor mesmo foi perceber que tenho um leque de possibilidades e que nem tudo estava perdido e tendendo ao fracasso na minha vida como eu cheguei a pensar em certos momentos de total insanidade e frustração comigo mesmo e com os outros. Maravilhoso mesmo é perceber o quanto eu sou uma pessoa de opções, o quanto ainda é cedo para achar que perdi muito tempo, o quanto eu ainda devo me amar para enxergar bem claramente tudo que está se passando. Talvez daqui uns anos eu até sorria de tudo isso, de como me doei demais sem receber, de como pequei por excesso! Coisas de principiante, fazer o quê! Ontem na sessão tive um misto de sensações. Em muitos momentos tive vontade de chorar ao contar alguns dramas pessoais e tenho certeza que até o psicoterapeuta também sentiu um grande aperto ao escutar meus relatos de certas situações pelas quais passei e passo. Só estando na pele para ter real noção. Tá certo, nem tudo na vida é justo, mas não somos obrigados a aceitar, em especial quando temos a consciência limpa de dever cumprido e de total honestidade e principalmente porque sempre, em qualquer que seja a situação, temos pelo menos duas alternativas (mesmo que ambas sejam dolorosas, como no meu caso. Mas pelo menos consegui enxergar que uma delas parece ser dolorosa a um prazo mais curto e me proporciona uma série de oportunidades). Mas também sorrimos em alguns momentos da terapia, percebendo como a vida é irônica em certas situações. Minha situação e meu momento que o digam. Tem certas ocasiões em que não adianta agir com desespero. Ou você desiste logo e acha que está tudo perdido. Ou você dá aquela risadinha, respira fundo e encara com o peito, mesmo que corra sérios riscos de vacilar novamente. E o que é que tem? A vida é feita disso mesmo e a gente aprende muito, mas é muito mesmo com a dor. Nada é em vão. Outra coisa que o meu psicoterapeuta me fez ver ontem (não deixa de ser outra ironia, rss), mas o próprio nome vencedor já diz: “vencer a dor”. Então, só vencendo a danada dessa dor para lidarmos com as situações com êxito. Desculpem se pareci muito superficial com todas essas palavras e iludida, mas dentro de mim, pelo que estou passando, muita coisa se encaixou ontem e ficou bem clara. É difícil perceber tudo? É! É doloroso? É! Mas pelo menos tem jeito! Bem, queria compartilhar esse pequenino passo na minha consciência diante de tantos saltos que ainda terei que dar. É como uma injeção na auto-estima e na consciência! Agora tenho que me trabalhar muito para enfrentar esse turbilhão na minha vida.

Um fim de semana abençoado a todos!

3 comentários:

Lenny Moura disse...

O vencedor!
Olha lá, quem vem do lado oposto
Vem sem gosto de viver
Olha lá, que os bravos são
Escravos sãos e salvos de sofrer
Olha lá, quem acha que perder
É ser menor na vida
Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor
Olha você e diz que não
Vive a esconder o coração
Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
Só procura abrigo
Mas não deixa ninguém ver
Por que será?
Eu que já não sou assim
Muito de ganhar
Junto às mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz

Ana Carolina disse...

: )

Daniele Lopes disse...

Sem dúvida alguma "vencer a dor" é tudo aquilo que se almeja diante de certas tempestuosas situações,mas esse é o último passo ao meu entendimento.Considero ainda mais importante que vencê-la é,na verdade, vivenciá-la,sentí-la para a partir daí tirar-se o máximo proveito,pois são em tais circunstâncias em que mais evoluímos como gente,afinal de contas, aquilo que não nos mata certamente nos fortalece!
Q Deus a ilumine!

beijinhoss*